ARQUIVO DE janeiro 2015

27.01.2015
Literatura “On the Rocks”

Pode existir imagem mais verão que um drinque colorido, bebido à beira da praia ou da piscina?

Estamparia Literária deu um giro por aí, chegou à conclusão que a literatura tem forte ligação com o álcool, consumido moderada ou desbragadamente, e resolveu listar algumas associações famosas.

Scott Fitzgerald, por exemplo, não escondia de ninguém que sua bebida favorita era o gim, com tônica e uma rodelinha de limão. Não à toa, concedeu a Jay Gatsby, o inspirador de nossos notecards, uma variante dessa mistura, o drinque Gin Rickey.

A fama de Ernest Hemingway, que pregava que se escrevesse bêbado, mas se editasse sóbrio, nunca foi contestada. Seu nome é chancela para um número incrível de coquetéis, incluindo o Jack Rose, que aparece em seu livro O sol também se levanta : applejack, grenadine e limão. Há quem garanta, no entanto, que o preferido dele era o Mojito, mistura de rum com açúcar, limão, água gasosa e hortelã, e que, dentre os Mojitos , ele não dispensava o da La Bodeguita del Medio, em Havana.

Carson McCullers, autora de O coração é um caçador solitário e A balada do café triste gostava de carregar, por onde fosse, uma garrafa térmica com uma mistura que ela apelidou de Sonnie Boy : chá com xerez.

Enquanto o inspetor Maigret, de Simenon, era um beberrão de marca, que encarava de tudo, de vinho e cerveja à tradicional aguardente de maçãs, o calvados, licor era a opção do detetive Hercule Poirot, criação magistral de Agatha Christie: ele preferia o de menta, doçura de fazer estalar a língua. A mesma menta , em folhas, era a base de uma mistura que William Faulkner gostava de acrescentar ao uísque de Kentucky que acabou por encharcar suas fibras cerebrais. O drinque, sulista, é claro, como as narrativas do mestre, se chamava Mint Julep.

Para James Wormold, personagem de Nosso homem em Havana, de Graham Greene, nada substituía um Daiquiri no final da manhã, drinque bem gelado de rum e limão. Do mesmo modo, Raoul Duke, protagonista de Medo e delírio em Las Vegas, de Hunter S. Thompson era adepto do Singapore Slings, gim com cherry, laranja, limão e abacaxi e Philip Marlowe, o detetive de Raymond Chandler em Um longo adeus declara-se fã de um coquetel chamado Gimlet, metade gim, metade suco de limão concentrado Rose’s Lime Juice. James Bond, o herói a Serviço de Sua Majestade, inventado por Ian Fleming , em Casino Royale, livro de 1953, dava a receita do coquetel que lhe enchia as medidas. Martini, como a bebida favorita da poeta Anne Sexton, mas não qualquer um, e sim o Vesper Martini:

3 medidas de gim Gordon’s, 1 de vodka, 1/2 medida de Kina Lillet, um   vinho aperitivo francês. Misture na coqueteleira até ficar bem gelado e adicione uma casca de limão.

Truman Capote fez sua Holly Golightly, a protagonista de Bonequinha de luxo gostar de bebidas fortes: vodka e gim. Ele mesmo, no entanto, não escondia que seu drinque predileto era o Screwdriver: 2 medidas de vodka para 5 de suco de laranja, uma mistura leve e colorida como o espírito da garota de programa imortalizada por Audrey Hepburn no cinema . O beat Jack Kerouac, não podia ser mais on the road ao privilegiar as Margaritas, de origem mexicana: tequila e triple sec com suco de limão, tão característico como o Ramos Fizz, escolhido pelo neo-dândi Tennessee Williams: uma mistura de gim, com creme de leite, clara de ovo, suco de limão, açúcar e água de flor de laranjeira.

Bom, agora é com vocês: Entre na nossa página do Facebook, poste uma receita de um drinque diferente e gostoso, e concorra a uma caderneta com os bigodes de Marcel Proust (que podia até beber, mas ficou célebre por um bolinho macio, a Madeleine). *

 

 

* Regulamento: Poste a receita nos comentários do Facebook, só pode participar com uma, nossa equipe escolherá a mais diferente, gostosa e refrescante, e entrará em contato via Facebook no dia 03 de fevereiro, terça-feira, para avisar o ganhador e pedir o endereço para postarmos o presente.

 

**Imagem do post tirada do Pinterest.