17.02.2017
Desventuras em série – Sobre a forma de se contar uma história

“Circulando” é uma expressão usada por pessoas incapazes da cortesia de dizer alguma coisa mais polida, como  “se você não precisa de mais nada, tenho de ir”, ou “sinto muito, mas vou ter de lhe pedir que vá embora, por favor”, ou até mesmo “desculpe, mas creio que você confundiu a minha casa com a sua, e os meus mais valiosos pertences com os seus, e devo solicitar-lhe que me devolva os itens em causa, e saia da minha casa, depois de me desamarrar desta cadeira, pois não consigo fazer isso sozinho, se não for muito incômodo.” (SNICKET, Lemony. O penúltimo perigo – Desventuras em Série.)

Se você gosta de um humor semelhante ao da citação acima, devo lhe dizer que você irá gostar bastante de Desventuras em Série. Há quem ame e há quem odeie. Li o primeiro livro em 2013 e posso me considerar pertencente ao grupo um. Neste post vou compartilhar os motivo que me fazem adorar a série.

Para quem não conhece, Desventuras em Série é uma coleção de treze livros escritos por Lemony Snicket (pseudônimo do escritor e cineasta americano Daniel Handler). Trata-se da história de três órfãos que perdem seus pais num incêndio, e se veem nas mãos de tutores inadequados e um vilão que está atrás da fortuna que seus pais deixaram.

Por que faço parte do grupo que gosta da série? Porque o autor chama atenção não apenas para história, mas para forma como ele a conta, ou seja, os recursos não escritos que ele utiliza. Snicket não se restringe apenas a escolher palavras para expressar uma ideia. Como designer, aprecio muito a forma como ele brinca com as formas não escritas de se narrar algo. Todo o livro, desde a capa, folha de rosto, ficha catalográfica, foi muito bem planejado. Há uma sintonia muito grande entre escritor e designer gráfico. Citarei alguns exemplos para melhor exemplificar o que estou querendo dizer.

Certo dia, lendo um dos livros dessa série, ao ler a ficha catalográfica ( pois é, eu leio, coisas de designer), me deparo com algo bastante inusitado que me fez rir, pois me pegou de surpresa. No emaranhado de letras, alguns comentários destoavam do que esperamos encontrar na última página de um livro:

Em outra edição, o autor fala de mensagens codificadas, na qual a carta fica com as letras invertidas e, para a minha surpresa, a próxima página estava completamente espelhada! Me fazendo parar a leitura e pegar um espelho para decifrar o que estava escrito naquela parte. Entende  como ele brinca com o leitor? Ele não apenas diz algo que você entende, ele faz você experimentar o que ele diz. Num outro momento, falando sobre dejavú, ele repete o mesmo parágrafo no capítulo seguinte, fazendo você vivenciar essa sensação de repetição. Ler um livro de Lemony Snicket é isso. Não apenas ler, mas  de alguma forma sentir o que está sendo dito. Ele brinca com todos os recursos possíveis para passar uma mensagem; Se ele quer ser enfadonho para alcançar um ponto com você,  não tenha dúvida que ele vai conseguir.

No livro O elevador Ersatz, encontramos outro recurso não escrito para passar uma ideia. O narrador nos fala de um poço de elevador extremamente escuro “[…] às vezes palavras não são o bastante. Existem algumas circunstâncias tão completamente deploráveis que não consigo descrevê-las em sentenças ou parágrafos.” Ao virar a página, lá estava o poço escuro.

Algo que eu adorava sempre que pegava o próximo livro da série era a dedicatória que Snicket  fazia à sua mulher morta, sempre de um jeito cômico e  ao mesmo tempo dramático. Uma seleção das melhores, que sempre se iniciam com “Para Beatrice”: “…querida, adorada, morta”; “…Meu amor por você viverá para sempre. Você não teve a mesma sorte.”, “…você estará para sempre no meu coração, na minha memória e no seu túmulo.”, “…Nosso amor partiu meu coração, e parou o seu.”, “Quando estávamos juntos, eu ficava sem fôlego. Agora, foi você quem ficou.”, “ Ninguém conseguiu extinguir o fogo do nosso amor, nem o da sua casa.”

No entanto, é possível notar uma crítica social nos livros, principalmente sobre as insanidades da natureza humana. Embora os livros sejam bastante melodramáticos e com devaneios, eles retratam essa “ameaça” de um mundo onde todos são muito adultos. As crianças frequentemente se veem silenciadas, mesmo estando com a razão, por apenas serem crianças, por não terem voz naquela sociedade, onde o adulto está sempre certo, pelo simples fato de ser adulto. A série conseguiu transparecer bastante disso, essa “revolta” que temos junto com os protagonistas, que sempre ficam injustiçados por ninguém os levarem a sério.

Por fim, para quem gosta de leituras onde a forma como se escreve é apreciada tanto quanto o que se escreve, onde tragédia, drama e humor andam juntos e, o mais importante, citações que não acabam mais, seu lugar é aqui! Nesse universo de desventuras. Em janeiro estreou a série produzida pela Netflix, eles foram bem fiéis aos livros, vale a pena assistir caso os livros te agradem. Até porque, não custa tentar, não é? Afinal, “arriscar-se é como tomar banho, pode acabar com você se sentindo confortável e aquecido, mas pode ser que algo terrível esteja à sua espreita e você só descubra o que é quando não houver nada a fazer, a não ser berrar e agarrar-se a um patinho de borracha.” (SNICKET, Lemony. O escorregador de gelo – Desventuras em Série).

 

Alana é carioca desde sempre, tem 22 anos, estudante de design na ESDI /UERJ e uma apaixonada por histórias, do tipo que  lê em qualquer lugar. É campeã em dobrar metas de leitura quando muita gente ainda nem saiu do primeiro livro. Colabora com o blog da Estamparia Literária uma vez por mês.

11.01.2017
Sobre a paixão pela leitura – por Alana Moreira

Se alguém te perguntasse hoje o motivo de você gostar tanto de ler (caso você seja uma pessoa que ame ler tanto quanto eu), qual seria sua resposta?

Você conseguiria exprimir em palavras o sentimento que tem ao terminar de ler um livro que ama muito? O que você sente ao terminar aquela série de livros do seu autor preferido?

Estive pensando sobre isso e resolvi compartilhar as minhas respostas. Leio livros de gêneros completamente diversos e cada um deles parece me atingir de uma forma completamente diferente e singular.

Qual o significado da leitura para mim? Ela é uma forma de estar em diversos lugares, com pessoas diferentes, sem sair do lugar. Tem muitos livros que você lê e ama a história, mas é aquilo, você está o tempo todo consciente de que é uma história, você sabe que está segurando um livro, que está olhando para palavras num papel.

Entretanto, existem alguns livros específicos, que você começa a ler e vai suavemente se desconectando do mundo. As palavras formadas na sua frente na folha de papel vão sumindo, sendo substituídas por sons, muito reais. Seus pés não estão mais ali no trem indo para a faculdade, as pessoas a sua volta vão sumindo, os sons de suas vozes vão se abafando. Quando você se dá conta, você está do lado do seu personagem, ele está te contando o que está acontecendo naquele exato momento na vida dele, você presencia os acontecimentos, a angústia de estar no meio de um campo de batalha, a felicidade de estar ali no momento de vitória, rir das piadas contadas. Cada dia seu é uma viagem breve ao mundo deles, onde você tem a oportunidade de participar um pouco da vida deles.

E cada livro dessa série é como um passaporte para um mundo paralelo, tão real quanto o seu agora, onde você vai acompanhando o seu personagem, que agora é seu amigo, afinal, ele te conta tudo, até o que ele mesmo não define em voz alta para si mesmo. Ele vai virando seu amigo de anos, a cada acontecimento e realização (quando você abriu o livro na faculdade) você sorri, porque acompanhou ele desde o início. Depois de uns anos, seu amigo vai amadurecendo, alcançando seu objetivo e finalmente chegando a conclusão (feliz ou não) de sua jornada.

Então os sons voltam. As pessoas aparecem de novo ao seu redor, você volta a sentir seus pés no chão do vagão. E o seu amigo, guardado em sua mochila, volta para casa com você. Ele é colocado carinhosamente na sua estante, junto com o restante da sua história.

De vez em quando você passa por eles e lembra com uma nostalgia e saudade enorme, dos anos vividos juntos, dos longos momentos de madrugada, apenas com um abajur, onde o silêncio da noite, te ajudava a escorregar para esse outro mundo, com um frio na barriga. Onde seu amigo já te aguardava para seguir junto, nesse outro mundo.

 

Alana é carioca desde sempre, tem 22 anos, estudante de design na ESDI /UERJ e uma apaixonada por histórias, do tipo que  lê em qualquer lugar. É campeã em dobrar metas de leitura quando muita gente ainda nem saiu do primeiro livro. Colabora com o blog da Estamparia Literária uma vez por mês.

09.08.2016
Olimpíadas Literárias

Olha só a tarefa de grego que a Estamparia Literária se impôs: buscar livros que tivessem relação com os jogos Olímpicos.

Não valia livros tipo enciclopédia, não valia análises sociológicas. Valia crônica, valia ensaio literário, valia memória poética. Valia, sobretudo, o momento em que o escritor usa o esporte para chegar mais longe.

Em um primeiro momento, foi fácil apelar para um elenco (e que elenco!) de cronistas do Rio de Janeiro, escritores de fala e escrita macia, capazes de erguer, à nossa frente, épocas inteiras de intrépido pioneirismo. Anotem aí: José de Alencar, Olavo Bilac, Luís Edmundo e Machado de Assis. Nas antologias de suas crônicas geniais, disponíveis em diversas edições, é como ver passar um daqueles filmes mudos, com personagens em roupas um pouco desgraciosas, e trejeitos caricaturais, mas feitos impressionantes.

No segundo momento, caímos na modernidade e saímos catando o que havia disponível nessas estantes populosas, mas às vezes inexatas do Brasil.

Aí vão 10 boas incursões literárias ao esporte. Como numa parada olímpica, há gêneros diversos, para vários públicos, incluindo um livro para leitores mais jovens (mas que é fácil um adulto amar) e um bom policial. Divirtam-se!

1. Corrida: Do que falo quando falo de corrida, Haruki Murakami. Editora: Alfaguara.

2. Natação: É claro que você sabe do que estou falando , Miranda July (especificamente o conto “Equipe de Natação”). Editora: Agir.

3. Futebol: O último minuto, Marcelo Backes . Editora: Companhia das Letras.

4. Tênis: Dupla falta, Lionel Shriver. Editora: Intrínseca.

5. Ciclismo (e outras modalidades): Mãos de Cavalo, Daniel Galera. Editora: Companhia das Letras.

6. Boxe: O clube de boxe de Berlim, Robert Sharenow. Editora: Rocco

7. Hipismo: Escola de Equitação para Moças, Anton Disclafani. Editora: Intrínseca.

8. Basquete: Um passo em falso, Harlan Coben. Editora: Arqueiro.

9. Tiro: As Neves de Kilimanjaro e outros contos (conto A vida curta e feliz de Frank Macomber), Ernest Hemingway. Editora: BestBolso.

10. Esgrima: Os duelistas, Joseph Conrad. Editora: L&PM.
29.07.2016
Se você gostou de Stranger Things, vai adorar esses livros
Se você gostou de Stranger Things, a série super cult do Netflix, a Estamparia Literária tem 10 dicas de livros para você:
1. A menina que tinha dons, M.R. Carey (editora Rocco).
2. It- A coisa, Stephen King (editora Objetiva)
3. O orfanato da srta Peregrine para crianças peculiares, Ransom Riggs (editora Leya)
4. Uma dobra no tempo, Madeleine l’Engle (editora Rocco)
5. A cidade inteira dorme (e outros contos), Ray Bradbury ( editora Globo).
6. O homem que caiu na Terra, Walter Terry (Darkside Books)
7. Watchmen – edição definitiva, Alan Moore & Dave Gibbons (Panini)
8. A invenção de Hugo Cabret, Brian Selznick (SM Editora)
9. Realidades adaptadas, Philip K.Dick (Aleph)
10. O menino que desenhava monstros, Keith Donohue (Darkside Books)
Em todos eles, essa mistura incrível de cotidiano, mesquinho até, dons sobrenaturais e adultos e crianças sensíveis ao inusitado. Há paranormais, dobras no espaço-tempo, seres de inteligência superior, complôs do governo americano, futuro, pacatas cidades americanas e fantasia que pode se tornar realidade. Todos eles, mesmo os mais recentes, são clássicos do gênero, cada um a seu modo.
Agora é você trancar a porta e escolher um lugar sossegado para ler. Mas deixe algumas luzes acesas, por via das dúvidas.
18.05.2015
Os óculos do Drummond

 

Durante os dias 25 e 26 de abril, a Estamparia Literária participou do evento Lapalê, um festival literário que aconteceu nos Arcos da Lapa para comemorar os 100 anos desse bairro que é um marco na cultura e na boêmia carioca. Foi um final de semana de muita alegria e troca com o público, com outras editoras e com os participantes. No vai e vem da nossa barraca, recebemos a visita do Leo Santanna, nada mais nada menos que o escultor da estátua do Drummond no Posto 6, aquela famosa por ter os óculos roubados e ser o segundo monumento mais visitado no Rio de Janeiro, ficando atrás apenas para o Cristo Redentor. Leo foi presenteado pela sua amiga Chris Lima com um marcador de óculos do próprio, posou para foto e ainda respondeu quando perguntamos o que ele achava desse fascínio das pessoas de roubarem os óculos do poeta:

“Eu procuro sempre entender porque as pessoas roubam os óculos do Drummond. De que ponto de vista essas pessoas tomam essa atitude? Mas aí eu penso que ver a vida sob a ótica do poeta é um privilégio, e entendo tudo”.Leo Santanna 

 

A Estamparia Literária adorou o encontro e ficou feliz de saber que, de alguma forma, possibilita que mais pessoas possam ver sob a ótica do poeta. Sem depredar monumentos!

 

Saiba Mais:
Leo Santanna: www.leosantana.art.br

Chris Lima: www.evolutivaestudio.com.br

Lapalê: www.lapalefestival.com.br

08.05.2015
Estamos chegando no meio do ano!

O mês de maio chegou, e com um pouquinho de atraso, mas ainda em tempo, fizemos mais um lindo calendário para fundo de tela! Dessa vez demos uma volta no Rio Antigo e paramos lá no século XIX. É só clicar na imagem de acordo com o sistema operacional do seu computador, salvar e definir como fundo de tela, ou passar para o dispositivo e pronto.

 

 

Ideal para Mac:

Ideal para PC:

 

Para o celular ou tablet:

01.04.2015
Abril, mês cheio de feriados – oba!

O mês de abril tem dois grandes feriados. Em algumas cidades chegam a ser três! Além do mais, é o mês que comemoramos a Páscoa, o Pessach, a chegada do outono (ufa!) e da primavera para quem mora no hemisfério norte. Por último, porém não menos importante, é o mês que comer chocolate está liberado! Pensando em todas essas coisas boas, a Estamparia Literária criou um fundo de tela que reúne tudo isso e mais um pouco.  É só clicar na imagem de acordo com o sistema operacional do seu computador, salvar e definir como fundo de tela, ou passar para o dispositivo e pronto.

 

Ideal para Mac:

Ideal para PC:

 

Para o celular ou tablet:

09.03.2015
Alô, Alô, Terezinha!

O aniversário da cidade maravilhosa foi semana passada, mas ainda temos um presente para aqueles que, como nós, adoram mudar o fundo do celular, ou do tablet. É só clicar e salvar como de hábito, passar para o dispositivo e pronto! Um pouco da fauna do Rio de Janeiro neste mês de março para os clientes da Estamparia Literária.

 

Download para seu celular:

02.03.2015
Nossa alma canta, veja o Rio de Janeiro

Dia 1 de março a cidade do Rio de Janeiro comemorou 450 anos de fundação! A Estamparia Literária, como boa empresa carioca que é, resolveu homenagear o aniversário criando um desktop com o Pão de Açúcar, nosso célebre cartão postal, e alguns pássaros da nossa fauna.  É só clicar na imagem de acordo com o sistema operacional do seu computador, salvar e definir como fundo de tela.

 

Ideal para Mac:

Ideal para PC:

 

10.02.2015
Estamparia Literária no seu celular

Depois do sucesso do nosso fundo de tela carnavalesco, e ainda em ritmo de folia, a Estamparia Literária fez um fundo de tela para o seu celular. É só clicar e salvar como de hábito, passar para o celular e pronto! Ele terá um cocar de frutas de deixar Carmem Miranda com inveja.

 

Download para seu celular:

02.02.2015
Fevereiro e o que é que a baiana tem

Fevereiro chegou! Último mês de férias, do horário de verão e, acima de tudo e mais importante, mês do Carnaval!  Essa festa tão querida por muitos que toma conta do país a partir desta semana, e  que só acaba quando termina, ou seja, no final de fevereiro. Nós da Estamparia Literária, envoltas em purpurina e serpentina, ao som de muita marchinha, fizemos um fundo de tela para desktop inspirado na Carmem Miranda, e na sua versão de 1939 para a música do então novato Dorival Caymmi “O que é que a baiana tem?”.  É só clicar na imagem de acordo com o sistema operacional do seu computador, salvar, e cair na folia nesses dias que antecedem a festa oficial!

 

Download para Mac:

 Download para PC:

 

27.01.2015
Literatura “On the Rocks”

Pode existir imagem mais verão que um drinque colorido, bebido à beira da praia ou da piscina?

Estamparia Literária deu um giro por aí, chegou à conclusão que a literatura tem forte ligação com o álcool, consumido moderada ou desbragadamente, e resolveu listar algumas associações famosas.

Scott Fitzgerald, por exemplo, não escondia de ninguém que sua bebida favorita era o gim, com tônica e uma rodelinha de limão. Não à toa, concedeu a Jay Gatsby, o inspirador de nossos notecards, uma variante dessa mistura, o drinque Gin Rickey.

A fama de Ernest Hemingway, que pregava que se escrevesse bêbado, mas se editasse sóbrio, nunca foi contestada. Seu nome é chancela para um número incrível de coquetéis, incluindo o Jack Rose, que aparece em seu livro O sol também se levanta : applejack, grenadine e limão. Há quem garanta, no entanto, que o preferido dele era o Mojito, mistura de rum com açúcar, limão, água gasosa e hortelã, e que, dentre os Mojitos , ele não dispensava o da La Bodeguita del Medio, em Havana.

Carson McCullers, autora de O coração é um caçador solitário e A balada do café triste gostava de carregar, por onde fosse, uma garrafa térmica com uma mistura que ela apelidou de Sonnie Boy : chá com xerez.

Enquanto o inspetor Maigret, de Simenon, era um beberrão de marca, que encarava de tudo, de vinho e cerveja à tradicional aguardente de maçãs, o calvados, licor era a opção do detetive Hercule Poirot, criação magistral de Agatha Christie: ele preferia o de menta, doçura de fazer estalar a língua. A mesma menta , em folhas, era a base de uma mistura que William Faulkner gostava de acrescentar ao uísque de Kentucky que acabou por encharcar suas fibras cerebrais. O drinque, sulista, é claro, como as narrativas do mestre, se chamava Mint Julep.

Para James Wormold, personagem de Nosso homem em Havana, de Graham Greene, nada substituía um Daiquiri no final da manhã, drinque bem gelado de rum e limão. Do mesmo modo, Raoul Duke, protagonista de Medo e delírio em Las Vegas, de Hunter S. Thompson era adepto do Singapore Slings, gim com cherry, laranja, limão e abacaxi e Philip Marlowe, o detetive de Raymond Chandler em Um longo adeus declara-se fã de um coquetel chamado Gimlet, metade gim, metade suco de limão concentrado Rose’s Lime Juice. James Bond, o herói a Serviço de Sua Majestade, inventado por Ian Fleming , em Casino Royale, livro de 1953, dava a receita do coquetel que lhe enchia as medidas. Martini, como a bebida favorita da poeta Anne Sexton, mas não qualquer um, e sim o Vesper Martini:

3 medidas de gim Gordon’s, 1 de vodka, 1/2 medida de Kina Lillet, um   vinho aperitivo francês. Misture na coqueteleira até ficar bem gelado e adicione uma casca de limão.

Truman Capote fez sua Holly Golightly, a protagonista de Bonequinha de luxo gostar de bebidas fortes: vodka e gim. Ele mesmo, no entanto, não escondia que seu drinque predileto era o Screwdriver: 2 medidas de vodka para 5 de suco de laranja, uma mistura leve e colorida como o espírito da garota de programa imortalizada por Audrey Hepburn no cinema . O beat Jack Kerouac, não podia ser mais on the road ao privilegiar as Margaritas, de origem mexicana: tequila e triple sec com suco de limão, tão característico como o Ramos Fizz, escolhido pelo neo-dândi Tennessee Williams: uma mistura de gim, com creme de leite, clara de ovo, suco de limão, açúcar e água de flor de laranjeira.

Bom, agora é com vocês: Entre na nossa página do Facebook, poste uma receita de um drinque diferente e gostoso, e concorra a uma caderneta com os bigodes de Marcel Proust (que podia até beber, mas ficou célebre por um bolinho macio, a Madeleine). *

 

 

* Regulamento: Poste a receita nos comentários do Facebook, só pode participar com uma, nossa equipe escolherá a mais diferente, gostosa e refrescante, e entrará em contato via Facebook no dia 03 de fevereiro, terça-feira, para avisar o ganhador e pedir o endereço para postarmos o presente.

 

**Imagem do post tirada do Pinterest.

 

01.12.2014
Dezembro na Estamparia Literária

Dezembro chegou!  Época de festas, férias, verão. A Estamparia Literária criou um calendário inspirado em tudo de bom que este mês tem para oferecer, é só clicar na imagem de acordo com o sistema operacional do seu computador e aproveitar!

 

Download para Mac:

 Download para PC:

 

06.11.2014
Making Of da Estamparia Literária

05.11.2014
Novembro na Estamparia Literária

Todo início de mês a Estamparia Literária vai oferecer um calendário para os seus amigos e clientes fazer download. Uma maneira divertida de mudar a imagem do desktop e não perder os compromissos da semana. Clique na imagem de acordo com o sistema operacional do seu computador e aproveite!

 

Download para Mac:

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 Download para PC:

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30.10.2014
ENTREVISTANDO DRUMMOND

Para comemorar os 112 anos de Carlos Drummond de Andrade, a Estamparia Literária, que tem vários produtos inspirados nos óculos do famoso poeta e cronista, foi cutucar as lembranças de Vivian Wyler, nossa consultora de branding e ex-repórter de o Jornal do Brasil, onde era especializada em literatura e música.

Em setembro de 1984, ela nem acreditou quando foi escolhida para fazer a entrevista de despedida de Carlos Drummond de Andrade da sua função de cronista do Jornal do Brasil, “obrigação” que  ele desempenhou por 64 anos com um lirismo e um engajamento humano só seus :

– Estou desocupando o posto antes que alguém grite: Chega! Fora!

O poeta era famoso por falar raramente de si, e foi temerosa que ela chegou ao apartamento da rua Conselheiro Lafayette. Dona Dolores, a mulher de Drummond, tinha programado uma dedetização de baratas para aquele dia, então a entrevista já começou com um clima leve, cômico, até, uma entrevista deambulante, mudando de cômodo para cômodo, quarto, cozinha, banheiro, para fugir ao cheiro de inseticida, e terminando na rua, na calçada.

Ecologista até a raiz da alma, “mas não para preservar a natureza para o homem e sim para ela mesma”, herança da vida na fazenda, na infância, quando ia ler velhos jornais dependurado em uma jabuticabeira, Drummond confessou, cabisbaixo, o asco pelo inseto cascudo, segundo ele, uma de suas várias aversões. Outras, confessas: turismo, dinheiro, religião.

Para o poeta e cronista, na entrevista que saiu no Caderno B do dia 29 daquele mês e ano, a partir dali a crônica seria substituída pela simples conversa entre amigos, acalentada numa vida de hábitos bem regrados. Sono tardio – em torno de umas 2 h da manhã -, depois de assistir a filmes preto e branco, “os antigos”, seus favoritos. Rotina diurna de apreciar os detalhes à sua volta. Abandonar a crônica, disse ele, era consumar sua rejeição às obrigações que considerava antinaturais, a prova que os seres humanos não aprenderam com os animais a “simplesmente seguir o curso da existência”. E uma forma de se acostumar com a “decrepitude”.

– Estou me despedindo da vida. Não tenho a ilusão de que vou durar para sempre. E não quero me ver arrastando uma perna, sendo puxado por uma enfermeira, voltando à infância, mas sem os prazeres da infância. Largar a crônica é uma maneira de enfrentar a velhice, de aceitar a ideia do fim. E descansar.

A matéria saiu no sábado, com uma ilustração inspirada de Bruno Liberati. Na manhã daquele dia, cedinho, o telefone tocou na casa da Vivian e o marido dela, Inácio, atendeu.

– É um colega de redação, o Carlos.

– Eu não tenho nenhum colega Carlos.

– Mas foi isso que ele disse.

Ela foi atender. Era o poeta. Tinha conseguido, não se sabe como, o telefone dela, e ligado para dizer que tinha gostado da matéria.

– Obrigado, minha colega- disse, com a fala mansa e a simplicidade características.

Ela sentou no chão, ao lado do telefone. E chorou.

27.10.2014
Estamparia Literária na Janela

Estamparia Literária são duas moças alegres na janela esperando a vida (com seu cortejo de maravilhas) passar.

Estamparia Literária são as designers Isabel De Nonno e Flávia Castro moldando estampas, imagens, formas e objetos, a partir da mais inclusiva das artes, a Literatura, uma senhora gulosa que gosta de abocanhar outros gêneros, se recusa a envelhecer, e está na raiz da maior parte das criações visuais e midiáticas do nosso século.
Estamparia Literária tem esse jeitinho que vocês estão vendo aí: confiante e um tanto atrevida, sem medo de ser pequena e pensar grande, e desafiando categorias.
Alguém disse: e se a gente encontrasse uma maneira de levar a literatura por onde quer que se vá, na bolsa, na sacola, informal, sem perder o conteúdo, prática, mas ao mesmo tempo informativa?

Mais alguém disse: isso é uma editora.
E um senhor astuto observou: isso é um comércio.
E uma consultora sábia concluiu: isso é um negócio.

Assim Estamparia Literária nasceu.

E é para esse negócio, misto de caldeirão de ideias incríveis, editora e serviços, que a Isabel e a Flávia estão convidando vocês. Elas estão na janela.
Mas a porta está aberta. É só ir no site www.estamparialiteraria.com.br e clicar.